Los Baristas Brasília

CASA DE CAFÉ

“café se toma, só se toma. sintoma: falso. olfato. multissensorial, sem censura. sinta a doçura natural. não? aqui está o açúcar. você quem manda. ferveu. o trem partiu. cheiro denso, quase tátil. ocupa cozinha, varanda, quintal. memória afetiva. o barista leva ao balcão vida e obra desse grão miúdo. torra. primeiros estalos. crack! alto do caparaó. seria chapada diamantina, mogiana, cerrado mineiro? o produtor é a cara do brasil. ele e o café, commodity desde a colônia. mas o grão cuja jornada conto não quer saber de balança comercial. é de talho de terra, microlote. detalhe. cultivado como o amor dentro da gente. superior, gourmet, especial? café. terra, altitude e microclima propícios. esse trem passa no baixo asa norte? tenho pressa. subo de bicicleta das 400 para as 300. então pede espresso com s. não será expresso com x. será bem tirado. longo? curto. duplo? ristretto. capiche? paladar é mistério. hora do batente. se bater desespero, café da repartição. desculpe a acidez, mas pule dessa maria-fumaça desgovernada. pó de licitação de governo comprado pelo menor preço. pode? falso. olfato. o trem apita. destino: los baristas. wifi: casadecafes. tudo junto. casa. bem-vindo.”

CHICO MACEDO